Gohonzon


O Tesouro da Vida

O significado do Gohonzon, o objeto de devoção da fé na prática do Budismo de Nitiren Daishonin, não está no sentido literal de seus caracteres, mas sim no fato de que ele incorpora a vida do Buda Original, ou a Lei do Nam-myoho-rengue-kyo. A simples capacidade de ler o que está escrito no Gohonzon não traz nenhum benefício extraordinário, tampouco significa que a pessoa realmente o compreende.

Alguns dos caracteres contidos no Gohonzon representam personagens históricos, figura míticas ou deuses budistas. Nitiren Daishonin utilizou-os para representar as funções do Universo e da nossa própria vida. Todas essas funções estão reunidas em torno da Lei do Nam-myoho-rengue-kyo. Portanto, o Gohonzon é a personificação da vida do Buda dentro de nós.

Em certa ocasião, o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, explicou o seguinte sobre o propósito de abraçar o Gohonzon:

“O poder natural dos seres humanos é muito fraco. Por mais que tente viver do seu modo, no final, as pessoas são facilmente influenciadas pelos outros e por fatores externos…Acredito que não há outra forma para tornar a vida mais forte, mas feliz e mais brilhante a não ser viver o budismo de itinen sanzen (um único instante da vida contém os dez mil mundos) e a possessão mútua dos dez mundos. Essa é a filosofia fundamental que Nitiren Daishonin pronunciou ao vasto Universo há mais de setecentos anos. Ele percebeu a ignorância que as pessoas tinham sobre esse profundo princípio e concedeu-lhes a gema do itinen sanzen para que pudesse alcançar a felicidade absoluta. Essa gema de itinen sanzen nada mais é senão o Dai-Gohonzon que ele inscreveu… (Buddhism in Action, vol.7, págs. 107-108)

O Gohonzon, de certo modo, pode ser comparado a um mapa qu indica a localização do supremo tesouro da vida e do Universo – a Lei Mística do Nam-myoho-rengue-kyo. Esse mapa nos revela que o tesouro pode ser encontrado dentro de nós. Para aqueles que conseguem compreender o mapa, ele não é apenas um pedaço de papel, mas sim um objeto inestimável, um ‘tesouro’, ou seja, é a condição e o potencial supremos da própria vida. Entretanto, para aqueles que não conseguem captar essa mensagem, o valor do mapa se reduz a um mero pergaminho.

Conforme Nitiren Daishonin afirmou: “Uma pessoa cega não pode ver os caracteres do Sutra de Lótus (o Gohonzon). Os olhos de um mortal comum os vêem apenas em cor preta. As pessoas dos Dois Veículos (Erudição e Absorção) os vêem vagamente, sem cor. Os Bodhisattvas os vêem em diferentes cores, ao passo que uma pessoa cujas sementes da iluminação amadureceram plenamente os vêem como budas. Dessa forma, o sutra afirma: “Aquele que pode manter este sutra, estará sustentando o corpo do Buda”. (The Major Writings of Nichiren Daishonin, vol. VII, pág.112)

Como então podemos compreender corretamente esse mapa para chegar ao tesouro para o qual ele nos leva ? Nitiren Daishonin nos encoraja com as seguintes palavras: “Quanto recitar a Lei Mística e ler o Sutra de Lótus, deve evidenciar a forte convicção de que o Myoho-rengue-kyo é a sua própria vida”(Ibidem, vol. I, pág.4). Em outras palavras, Nitiren Daishonin nos ensina que a vida é o maior tesouro. A esse respeito ele ainda escreve: “Nunca procure o Gohonzon em outros lugares. Ele somente pode habitar no coração das pessoas comuns como nós que abraçam o Sutra de Lótus e recitam o Nam-myoho-rengue-kyo”. (END, vol.I, pág. 325). Essa compreensão é o que o budismo chama de iluminação.

Para transmitir essa mensagem, Nitiren Daishonin utilizou a teoria de itinen sanzen – em especial a possessão mútua dos Dez Estados – como a base para a imagem gráfica do Gohonzon. O Gohonzon é o próprio mundo do estado de Buda, no qual todos os outros mundos estão representados. Essa é a descrição da possessão mútua.

No centro do Gohonzon, de cima para baixo, está escrito “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren”. Esses caracteres ilustram a unicidade de Pessoa e Lei, ou significam que a vida de Nitiren Daishonin incorpora a Lei Mística. A esse respeito ele escreveu: “A alma de Nitiren é o próprio Nam-myoho-rengue-kyo”. (MWND, vol.I, pág.120). Isso também demonstra que fundamentalmente a nossa vida e a Lei de Nam-myoho-rengue-kyo são unas e inseparáveis, conforme Nitiren Daishonin comprovou durante toda a sua vida.

Em outras palavras, a inscrição “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren” nos diz que temos qualidades idênticas às da vida do Buda Original. Na mesma proporção que nos empenhamos e oramos em prol do Kossen-rufu e com o mesmo desejo de Daishonin, podemos manifestar a coragem, a esperança e a sabedoria. Isto é o que o Buda quis dizer quando escreveu: “O senhor próprio é um buda que possui as três propriedades iluminadas. Deve recitar o Nam-myoho-renguekyo com essa convicção”. (ibidem, pág.30)

À esquerda e à direita da inscrição “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren” estão várias figuras budistas representando os Dez Mundos na vida de Nitiren Daishonin. O Buda as incluiu no Gohonzon para mostrar que até a sua vida contém inerentemente os nove mundos inferiores.

Ao escrever em destaque “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren” no centro com os outros caracteres menores ao redor, Daishonin explica graficamente que as figuras que estão representando os nove mundos inferiores estão iluminadas pela Lei Mística, conforme ele escreve: “Banhados pela brilhante luz dos cinco caracteres da Lei Mística, eles revelam a natureza iluminada que possuem inerentemente. Este é o verdadeiro objeto de devoção da fé”. (Ibidem, pág.212). Em outras palavras, essas figuras representam os nove mundos que estão contidos no mundo do estado de Buda.

A forma como os Dez Mundos são representados no Gohonzon varia. Em alguns Gohonzon cada um dos Dez Mundos é representado por um caractere ou caracteres que aparecem nas escrituras budistas. Entretanto, em outros, os Dez Mundos estão representados em grupos como os Quatro Caminhos ou Mundos Nobres. Nitiren Daishonin utilizou os dois estilos e assim também o fizeram os sumo-prelados posteriormente.

O Gohonzon transcrito por Nitikan Shonin

No Gohonzon transcrito por Nitikan Shonin, os Dez Mundos estão representados em dois grupos: os Quatro Caminhos Nobres (estado de Buda, Bodhisattva, Absorção e Erudição) e os seis Caminhos Inferiores (Alegria, Tranquilidade, Ira, Animalidade, Fome e Inferno).

Nesse Gohonzon, os Quatro Caminhos Nobres estão representados pelo Buda Sakyamuni (número 8) e o Buda Taho (número 9), os dois representantes do mundo do estado de Buda, e pelos quatro líderes dos Bodhisattvas da Terra – Jogyo (número 10), Muhengyo (número 11), Anryugyo (número 6) e Jyogyo (número 7).

Os Seis Caminhos Inferiores estão representados por figuras indicando os estados de Alegria, Animalidade e Fome. O estado de Alegria, por exemplo, é indicado pelos Quatro Grandes Reis Celestiais – Grande Rei Celestial Ouvidor de Muitos Ensinos (número 4), Grande Rei Celestial Defensor da Nação (número 13), Grande Rei Celestial da Ascenção e do Progresso (número 27), Grande Rei Celestial de Ampla Visão (número 33) – e o Grande Rei Celestial do Sol (número 20), Grande Rei Celestial da Lua (número 16), Grande Rei Celestial das Estrelas (número 15) e o Rei Demônio do Sexto Céu (número 19).

O estado de Animalidade está representado pelos Oito Grandes Reis-Dragões (número 22), e o da Fome pelo Demônio Feminino Kishimojin (número 25) e suas Dez Filhas (número 24).

Outros Caracteres

Tientai (número 26) e Dengyo (número 23) representam aqueles que transmitiram a verdadeira linhagem do budismo no passado.

Os deuses nativos da Índia, o Grande Rei Celestial Indra (número 17) e o Grande Rei Celestial Brahma (número 18), estão personificados no Gohonzon como deuses budistas. Estão também igualmente representados os deuses nativos do Japão – a Deusa do Sol (número 31) e o Grande Bodhisattva Hatiman (número 28).

Dois nomes estão escritos em sânscrito medieval, ou siddham: o da divindade budista Ragaraja (número 14), que representa o princípio de ‘desejos mundanos são a própria iluminação’, e o a divindade budista Achala (número 21), que representa o princípio de ‘os sofrimentos de nascimento e morte são nirvana’.
Inscrita no Gohonzon também está a seguinte declaração de Nitiren Daishonin: “Nunca, nos 2.230 anos desde o falecimento do Buda, este grande mandala apareceu no mundo”(número 32).

Ilustrando a lei de causalidade no Gohonzon estão os dois votos budistas: “Aqueles que fazem oferecimentos acumularão boa sorte superior a dos dez títulos honoríficos (do Buda)” (número 5) e “Aqueles que atormentam e prejudicam (os praticantes da Lei) terão a cabeça partida em sete pedaços” (número 12).
Disposição gráfica dos caracteres do Gohonzon

A disposição gráfica dos caracteres no Gohonzon está embassada na Cerimônia do Ar descrita no Sutra de Lótus. O décimo-primeiro capítulo, ‘Torre de Tesouro’, descreve o aparecimento de uma torre magnífica: “Nesse momento, na presença do Buda, uma torre adornada com sete tesouros, de quinhentos yojana de altura e duzentos e cinquenta yojana de largura e profundidade, emerge da terra e é suspensa no ar”. (The Lotus Sutra, pág.170).

Afirma-se que um yojana corresponda a distância que o exército real podia marchar em um dia. De acordo com uma outra interpretação, quinhentos yojana equivaleria ao raio da Terra.

Quando surgiu pela primeira vez, a Torre de Tesouro estava fechada. Porém, Sakyamuni a abriu quando o Buda Taho, que apareceu sentado na torre para validar os ensinos de Sakyamuni, o convida para se sentar-se junto a ele. É dessa forma que a Cerimônia do Ar tem início.

Referindo-se à Torre de Tesouro, o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, disse certa ocasião: “Dentro de nós existe um magnífico estado de vida que está muito além da nossa imaginação e que não podemos expressar com palavras. Essa condição de vida é chamada de estado de Buda. No entanto, podemos manifestá-la concretamente em nossa vida. A cerimônia descrita no capítulo “Torre de Tesouro”, mostra que podemos manifestar a natureza de Buda que se encontra latente em nós. Em outras palavras, o surgimento da Torre de Tesouro é uma metáfora que ilustra a magnífica natureza de Buda em nossa vida. No Sutra de Lótus, a abertura das portas da Torre de Tesouro representa a transição de uma explicação teórica do estado de Buda como um potencial para a manifestação real da natureza de Buda inata em cada pessoa.

No Gohonzon, a inscrição “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren” corresponde à Torre de Tesouro. O Buda Sakyamuni e o Buda Taho estão sentados na torre de frente para a audiência. Os demais bodhisattvas, divindades e outros seres estão de frente para esses dois budas. Na Índia, as pessoas importantes geralmente sentam-s do lado direito. O fato de Sakyamuni estar localizado à esquerda da inscrição “Nam-myoho-rengue-kyo-Nitiren” quando olhamos o Gohonzon, e o Bodhisattva Jogyo (o líder dos bodhisattvas da Terra) encontrar-se à direita, significa que Sakyamuni está dentro da Torre de Tesouro olhando para o exterior e o Bodhisattva Jogyo está diante dele.

O diagrama do Gohonzon que aparece publicado juntamente com este artigo ajudará a todos a observar a posição e a entender o significado de cada inscrição transcrita por Nitikan Shonin. A expectativa é a de que a explicação gráfica dos componentes do Gohonzon ajude a todos a captar o significado da mensagem de Nitiren Daishonin para toda a humanidade – a de que cada indivíduo é potencialmente um buda e que todos podem atingir o estado de Buda por meio da fé no Gohonzon.

Podemos comparar a imagem gráfica do Gohonzon com a nossa própria vida. Vivendo na era maléfica e impura dos Últimos Dias da Lei, a nossa vida pode ser facilmente dominada pelas condições inferiores, tais como os estados de Ira e de Animalidade. Quando isso acontece é como se colocássemos esses mundos no centro em vez de o Nam-myoho-rengue-kyo.

A nossa vida é exatamente como a Torre de Tesouro. Porém, ela pode encontrar-se fechada e enterrada nas profundezas da ilusão. Portanto, o nosso desafio é extrair a Torre de Tesouro que se encontra escondida nas profundezas de nossa escuridão fundamental, abrí-la e estabelecer o Nam-myoho-rengue-kyo no centro da nossa vida. Dessa forma, iluminando nossas condições inferiores, colocamos cada uma delas em seus devidos lugares.

O poder da fé e a prática para si e para os outros são o que torna isso possível. Devemos desafiar a dar continuidade em nossa prática ao Gohonzon com a firme convicção em sua mensagem de que estamos inerentemente dotados com o supremo tesouro. Dessa forma, podemos estabelecer o estado de Buda como a condição básica da nossa vida, tal como está exemplificado na disposição gráfica dos caracteres do Gohonzon.

por Patriciatarologasp

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